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Instituto Piaget discrimina Psicóloga grávida
Anabela do Cabo Morais
Pensa e sabe que estamos no século XXI, mas engana-se! No
nosso país, ou pelo menos no reino do Instituto Piaget
vigora o século XIX no que diz respeito aos direitos do
homem e dos trabalhadores.
Vai ser aqui exposta de forma breve, o quanto possível, uma
situação de exploração laboral e de discriminação de género.
Em Novembro de 2005, Anabela do Cabo Morais, Licenciada em
Psicologia Social e Organizacional, foi admitida na Escola
Superior de Saúde no Campus Académico de Silves do
Instituto Piaget. Foi entrevistada, e seleccionada pela
Presidente do Campus Académico de Silves, Professora
Doutora Ana Maria Almeida, com o objectivo de desempenhar
funções na área da Psicologia (que futuramente se iriam
delinear consoante as necessidades) nomeadamente, a função
de Responsável do Gabinete de Apoio Social, pois o Instituto
de Silves estava bastante interessado em iniciar um projecto
piloto de apoio ao estudante no que diz respeito ao Fundo de
Acção Social patrocinado pela Direcção Geral do Ensino
Superior. Aquando as entrevistas iniciais, foi dito pela
presidente, que tendo em conta as dificuldades económicas
que o país, e o Instituto atravessam, não se poderia pagar
um vencimento adequado a uma Licenciada em Psicologia e que
por isso, o vencimento ilíquido (bruto) seria de 700 euros,
contudo, esta situação seria, e passo a citar a Presidente,
“como é óbvio, uma situação inicial…. Pois é preciso saber
se ser paciente e saber esperar ….”. A Psicóloga em questão
aceitou o desafio, apesar do vencimento ser muito abaixo do
praticado pela tabela salarial dos Psicólogos.
Em 23 de Dezembro de 2005 surgiu o contrato para assinar;
este refere que a sua categoria profissional é de
ESCRITURÁRIA; a Psicóloga fez o reparo de esta função não
corresponder de todo ao que lhe tinha sido prometido aquando
a entrevista, mas a Professora Doutora Ana Maria Almeida
referiu que teria que ser assim, pois todos os Licenciados
no Instituto, á excepção dos Docentes, eram assim
categorizados, mas que esta não se preocupasse, que, e passo
a citar “com paciência consegue-se tudo na vida”.
De 23 de Novembro de 2005 até dia 1 de Março de 2006, ficou
a aguardar “pacientemente”, tal como lhe tinha sido
solicitado, a sala para desenvolver a sua função de
Responsável de Gabinete de Apoio Social. Desta feita, ficou
sentada, sem muito para desenvolver, numa mesa na Secretaria
do Instituto, junto da Chefe da Secretaria (Licenciada em
Direito) e da Administrativa que então laboravam na
respectiva escola, mas que em Março foram dispensadas (a
Chefe rudemente despedida e a Administrativa não obteve a
renovação do contrato).
Em Março foi então para a sua sala, onde a partir dessa
data a Professora Doutora Ana Maria Almeida, na qualidade de
Presidente do Campus Académico de Silves, solicitou a
realização de um conjunto de tarefas na área da Psicologia,
nomeadamente:
·
Dinamizar
o Gabinete de Apoio Social – recebendo os alunos, dando
informações diversas sobre as bolsas do FAS, aconselhamento
em situações de crises emocionais, … (sendo que o Projecto
Piloto inicialmente falado pela Presidente, não chegou
sequer a ser uma realidade)
·
Planear um
Seminário para os Docentes do Instituto no âmbito do
Gabinete de Promoção e Educação para a Saúde (cuja
coordenação também passou a ser realizada pela Psicóloga
Anabela Morais) – Este foi realizado no dia 21 de Junho de
2006, cuja divulgação está no site
http://www.ipiaget.org/conf_evento.asp?id=1320 (ver
programa do Seminário: O Auto conhecimento e a Assertividade).
·
Participar
com base num protocolo com a Escola Secundária Manuel
Teixeira Gomes de Portimão numa Amostra de Orientação
Profissional a 1300 alunos (cuja planificação, realização e
concretização foram realizadas no mês de Março a Junho de
2006).
·
No início
de Julho e no âmbito do Gabinete de Promoção e Educação para
a Saúde coordenou a realização do I Seminário «Saúde e
Ambiente» - 5 de Julho e um Workshop em «Emergência Médica»
- 7 e 8 de Julho.
·
Em Julho
foi convidada a exercer mais um cargo de chefia; o de
Coordeandora / Directora do Gabinete de Estudos e Formação.
A Psicóloga aceitou, mas referiu que apenas iria querer
acumular mais essa função se o vencimento e categoria
profissional se alterassem e se correspondessem finalmente á
verdade. A Professora Doutora Ana Maria Almeida disse em tom
de fuga, que sim, que haveria de haver uma alteração… mas
não se alongou muito sobre o assunto. A função enquanto, e
abreviado, Directora de formação, seria para além de
promover acções de formação para a população em geral e para
os Docentes do Instituto, também teria que promover o
desenvolvimento dos CET (Cursos de Especialização
Tecnológica de nível IV, pós secundários, de nível não
superior) cuja participação activa de todas as Escolas do
Barlavento Algarvio (que são sete) seria e é fundamental
para abranger as necessidades de formação e empregabilidade
dos Jovens para essa região do Algarve. Desta feita, no dia
31 de Julho realizou e liderou a única reunião que teve com
todos os Presidentes dos Conselhos Executivos das Escolas do
Barlavento, onde a Presidente do Campus Académico de Silves
apresentou a Psicóloga aos demais como sendo a Coordenadora
e Responsável do Gabinete de Estudos e Formação e
consequentemente, a Coordenadora dos CET.
Como seria
de esperar, e com base num princípio básico e lógico de
“Salário igual a Trabalho desempenhado”, a Psicóloga
dirigiu-se à Presidente do Instituto de Silves em Agosto
dizendo que a sua paciência de 9 meses (tal como lhe tinha
solicitado a Presidente desde o início do contrato) tinha
feito nascer a vontade de querer um vencimento e categoria
justos para todo o seu bom desempenho ao longo dos meses que
estava a trabalhar no Instituto. Salientou ainda o facto de
estar a desempenhar sozinha tantos cargos de
responsabilidade, o que também não se tornava tarefa fácil
para um Ser Humano dito normal.
A resposta
da Presidente, já não tão simpática e cordial, foi que
jamais tinha falado em aumento salarial, e quanto à
categoria … bem essa…. Ela não entendia o motivo pelo qual a
Psicóloga não estava satisfeita, pois tudo o que esta estava
a desenvolver enquanto Psicóloga era só porque, e passo a
citar, “gosta de trabalhar nessa área da Psicologia”. Tendo
em conta esta realidade, a Psicóloga tomou a sábia decisão
de recusar gentilmente a função de Coordenadora do Gabinete
de Estudos e Formação, e apenas permanecer como Responsável
do Gabinete de Apoio Social. Passado dois dias dessa
conversa, a Professora Doutora Ana Maria Almeida, falou com
a Psicóloga e disse: «Dra. Anabela, a renovação do seu
contrato em Novembro não está posto em causa, este será
obviamente renovado, agora não lhe garanto é a alteração da
categoria e do vencimento no contrato.» A Psicóloga ouviu,
entendeu e ficou descansada relativamente à renovação do seu
terceiro contrato a 23 de Novembro de 2006.
Bem…
perante esta situação tão caricata, injusta, e mais não
consigo exprimir pois é para mim inqualificável, remato esta
história recambulesca com a seguinte situação.
A
Psicóloga continuou em funções, quando na segunda quinzena
de Setembro percebeu e confirmou através de uma consulta ao
médico, que se encontrava grávida de 6 semanas. Ficou
naturalmente feliz, pois a natalidade em Portugal deve ser
fomentada e desejada. Como boa colaboradora que é, fez saber
informalmente essa sua condição à Presidente do Instituto de
Silves, assim como ao Dr. José Carlos Lourenço, Chefe de
Tesouraria, que também é Director Administrativo (embora o
seu contrato também seja de Escriturário). Formalmente, e
ainda em Setembro, também informou a Presidente através de
uma carta escrita.
Como é
natural, a gravidez trás consigo alegria mas também efeitos
secundários menos agradáveis. Esses, tornaram-se tão ferozes
que a Psicóloga viu-se obrigada a pedir baixa, até porque a
Presidente aconselhou-a a ficar a repousar em casa, sob pena
de poder prejudicar o bebé, dizendo, e passo a citar, «Dra.
Anabela, vá para casa, … repare, eu não lhe estou a dizer
isso para não a querer mais cá connosco… é para o bem do seu
bebé.» E, assim foi, a Psicóloga com contrato de
Escriturária, com um vencimento patético, lá foi para casa
sofrer as consequências do período inicial de gravidez. A
baixa iniciou a 2 de Outubro de 2006, e a 26 de Outubro
recebeu uma carta do Instituto Piaget a dizer de forma curta
e simples, que não era sua intenção renovar o contrato com a
Psicóloga. No início do mês de Dezembro foi lhe depositado
um valor na conta bancária que não faz ideia se é justo ou
não, pois o Dr. José Carlos Lourenço, que se auto-intitula
de Director Administrativo, não fez sequer enviar pelo
correio os recibos de vencimento desde Agosto.
Perante
isto, a Psicóloga já denunciou esta situação humilhante,
quer para a profissional de Psicologia, quer para a futura
mamã, no IDICT, e no Tribunal do Trabalho. Esta situação não
dignifica uma instituição que forma Psicólogos no Instituto
Piaget de Almada, que faz livrinhos de Poesia Juvenil e que
divulga em Programa da TVI (Você na TV apresentado por
Manuel Luís Gocha e Cristina Ferreira), e que tem um
Presidente que se diz Filósofo e Poeta, Dr. Oliveira Cruz,
que até já fez greve de fome para poder homologar cursos que
ministra nos seus Institutos. É bom que esse Senhor tenha
noção que está a lançar Psicólogos para o mercado e na
realidade não reconhece a capacidade técnica e cientifica
desses profissionais, pois se reconhecesse não os
qualificaria de Escriturários.
As
empresas e instituições têm responsabilidade social, ou
deveriam ter. Denuncio esta Instituição de Ensino Superior
que coloca na rua grávidas sem qualquer remorso ou
consciência humana, pois em Dezembro e em Julho fizeram o
mesmo a uma Empregada de Limpeza e a uma Auxiliar de Acção
Educativa, mas vai se lá saber porquê as pessoas não sentem
força para divulgar essa brutal injustiça.
Denuncio
sem quaisquer medos de represálias, pois quem não deve não
teme, ao público em geral e às entidades responsáveis que
têm de saber que ainda hoje, no século XXI, uma Instituição
que se diz formadora de pessoas cultas a nível académico,
DISCRIMINA os Licenciados em Psicologia, assim como todo e
qualquer Licenciado, e NÃO RESPEITA a condição mais
graciosa, abençoada e necessária para o bem social que são
as mulheres que engravidam e assim, estão a contribuir para
uma melhoria social.
Para
qualquer dúvida ou comentário que me queiram fazer
disponibilizo o meu contacto pessoal – 96 558 27 58.
Calar é
aceitar, falem, e lutem por causas justas. Os Tribunais
foram feitos para apoiar e regularizar situações injustas,
espero que esta seja resolvida de forma adequada de modo a
punir quem age contra o trabalhador e contra a mulher.
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