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PLENÁRIO
NACIONAL DE DIRIGENTES, DELEGADOS E ACTIVISTAS SINDICAIS
DAS MISERICÓRDIAS E INSTITUIÇÕES
PARTICULARES DE SOLIDARIEDADE SOCIAL
RESOLUÇÃO
CONSIDERANDO QUE:
- o sector de actividade das IPSS - Instituições
Particulares de Solidariedade Social é de grande
diversidade e dimensão, de enorme importância
para a sociedade portuguesa e para a vida de todos os
portugueses, com 4100 IPSS inscritas na Segurança
Social, que concretiza 70% da acção social
existente no nosso país e serve mais de 600 000
utentes e ainda 90 000 crianças na Educação
Pré-Escolar, através de 70 049 trabalhadores
que asseguram diariamente o essencial dessa acção
social.
- o Estado ao apoiar as IPSS, anualmente em quase mil
milhões de euros para assegurar continuadamente
condições laborais e remuneratórias
dignas e adequadas à natureza das funções
de todos esses trabalhadores, tem igualmente a responsabilidade
e a obrigação de acompanhar, zelar e fiscalizar
o cumprimento da correcta prossecução dos
fins e da boa aplicação das verbas atribuídas.
- num sector tão importante e sensível como
este, em que está em causa a qualidade do apoio
e a atenção dos cuidados a pessoas particularmente
debilitadas e vulneráveis, é impensável
que essa acção social se possa adequadamente
fazer sem condições minimamente dignas e
apropriadas para os trabalhadores que são quem
efectivamente concretiza essas acções de
apoio e de solidariedade.
- os trabalhadores das IPSS:
a) no conjunto de todas as suas retribuições,
levam para casa, em média, menos de 15 euros por
dia, e a sua grande maioria menos de 12 euros por dia,
salários baixos e inferiores mesmo aos funcionários
públicos em actividades semelhantes;
b) na sua esmagadora maioria continuam sem carreira profissional
digna ou mesmo sem qualquer carreira, e com os seus enquadramentos
profissionais desadequados e desvalorizados;
c) continuam a não ver reduzidos os horários
de trabalho, sobretudo os de maior duração,
continuando esse horários a estar completamente
desajustados à natureza das funções
prestadas, especialmente nas categorias que menos ganham;
d) continuam, a muitos deles, a não lhes ser atribuídas
categorias profissionais que correspondam às funções
efectivamente exercidas, com uso e abuso de categorias
não qualificadas ou indiferenciadas;
e) continuam a ver recusada, em algumas categorias profissionais
mas que abrangem muitos trabalhadores, a correcção
da respectiva definição de funções,
continuando assim a ser pau para toda a obra;
f) continuam, em grande número a ter contratos
a prazo ou temporários, mesmo quando exercem funções
de carácter permanente, e simultaneamente continuam
a proliferar os falsos contratos de prestação
de serviços (recibos verdes);
g) continuam a ver, frequentemente, desrespeitadas as
próprias condições de trabalho contratualizadas
e a sofrerem arbitrariedades e ilegalidades das instituições
sem fiscalização e impunes;
h) continuam a ver, dia a dia, cada vez mais ameaçados
os seus direitos e prejudicadas as suas condições
de trabalho com a tentativa de imposição
e da aplicação do novo Pacote Laboral pelo
Governo e pelo aproveitamento disso feito pelas Uniões
das Misericórdias e das IPSS, com gravíssimas
consequências na sua qualidade de vida e na qualidade
do apoio que prestam aos utentes;
- entre 1996 e 1999, a evolução média
das comparticipações às IPSS pela
Segurança Social foi de 12,6% e entre 2000 e 2002,
o aumento médio das comparticipações
foi superior a 10% ao ano, enquanto que a evolução
das retribuições contratuais dos trabalhadores
tem sido, ano após ano, muito e muito inferior.
- além disso, os trabalhadores ganham hoje menos
10% do que em 2001, pois as instituições
que já receberam do Governo as comparticipações
de 2002 e já protocolaram as de 2003 continuam,
através das suas Uniões, a recusar e a adiar
sequer a actualização dos salários
de 2001 e a negociação do Contrato Colectivo
de Trabalho.
- face a tudo isto, o Governo continua, na prática,
a nada fazer e tudo permitir, apesar de ser directamente
responsável, pois não só não
zela nem fiscaliza o correcto cumprimento e boa aplicação
das verbas atribuídas às IPSS como não
impõe a revisão do Contrato Colectivo de
Trabalho que está em Conciliação
no Ministério da Segurança Social e do Trabalho.
O Plenário Nacional de Dirigentes, Delegados e
Activistas Sindicais do sector das IPSS, reunidos em Lisboa,
a 16 de Maio de 2003,
RESOLVE
1. Reclamar que seja assegurado e rapidamente concretizado
o seu direito fundamental e constitucional à negociação
e à contratação colectiva.
2. Exigir que as Uniões das Misericórdias
e IPSS dêem imediato reinício às negociações
do Contrato Colectivo de Trabalho com actualização
das condições salariais para 2002 e 2003
e melhoria das suas condições de trabalho
de forma digna.
3. Exigir do Governo, e em particular do Ministro da Segurança
Social e do Trabalho, que tome urgentemente medidas firmes
e apropriadas ao rápido e efectivo reatamento negocial
e, se necessário, concretize as iniciativas administrativas
que garantam a adequada actualização e melhoria
das condições remuneratórias e de
trabalho bem como o cumprimento e boa aplicação
das verbas atribuídas às IPSS.
4. Reiterar o seu repúdio ao conteúdo das
disposições do novo Código do Trabalho,
gravemente lesivo dos direitos, das condições
de trabalho e da vida profissional e familiar de todos
os trabalhadores portugueses e particularmente gravoso
e nefasto para os trabalhadores deste sector.
5. Apelar ao Senhor Presidente da República que
verifique a constitucionalidade daquelas disposições.
Lisboa, 16 de Maio de 2003
O PLENÁRIO NACIONAL
Federação
Nacional dos Sindicatos da Função Pública;
Federação Nacional dos Professores; Federação
Portuguesa dos Sindicatos de Comércio, Escritórios
e Serviços; Federação dos Sindicatos
dos Transportes Rodoviários e Urbanos; Federação
dos Sindicatos de Alimentação, Bebidas,
Hotelaria e Turismo de Portugal; Federação
Nacional dos Sindicatos da Construção, Madeiras,
Mármores e Materiais de Construção;
Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores
Têxteis, Lanifícios, Vestuário, Calçado
e Peles de Portugal; Sindicato dos Enfermeiros Portugueses;
Sindicato Nacional dos Trabalhadores e Técnicos
da Agricultura, Florestas e Pecuária; Sindicato
dos Trabalhadores de Serviços de Portaria, Vigilância,
Limpeza, Domésticas e Profissões Similares
e Actividades Diversas; Sindicato dos Técnicos
de Serviço Social; Sindicato Nacional dos Psicólogos;
Sindicato Nacional dos Profissionais de Farmácia
e Paramédicos; Sindicato dos Trabalhadores da Saúde
e Segurança Social; Sindicato dos Fogueiros, Energia
e Indústrias Transformadoras.
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