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A Grelha Que Provocou a Discórdia
Por A.L.C.
Domingo, 16 de Novembro de 2003
http://jornal.publico.pt/publico/2003/11/16/Sociedade/S10CX01.html

A grelha para avaliar a experiência profissional dos candidatos, elaborada pelo júri (comissão de equiparação), foi a que provocou mais protestos. Recebendo uma ponderação três vezes superior à dos outros dois parâmetros (prova oral e formação) para o cálculo da nota final, ela constituiu o grande obstáculo que mais de 500 candidatos ao processo da concessão de equiparação ao estágio não conseguiram ultrapassar.

Por sua vez, na estruturação desta grelha, o item da prática clínica na infância, adolescência e adultos/idosos é o mais cotado, pois representa 15 valores (numa escala de 0-20). Pode-se afirmar, pois, que quem não tenha demonstrado, através das declarações dos corpos directivos das instituições de saúde - onde os candidatos exerceram a sua actividade profissional -, possuir uma experiência pelo menos de 12 meses na avaliação e intervenção psicológica em cada nos três grupos etários não conseguiu ultrapassar a elevada exigência do júri.

E a primeira contestação aos critérios do júri dirige-se precisamente para o conceito de avaliação e intervenção psicológica, onde apenas se considera o factor temporal, ignorando-se todos os outros aspectos. Para Maria Manuel Costa, da direcção do Sindicato dos Psicólogos, "não existe nenhuma referência por parte do júri ao número de avaliações e intervenções necessárias para o candidato obter neste item a pontuação máxima, o que confere à respectiva avaliação um carácter subjectivo e discricionário, contrário ao espírito da lei".

Por outro lado, para esta dirigente sindical, ficou por definir por parte do júri quais as técnicas de avaliação mais valorizadas. "Conhecidas as reservas da drª Clementina Diniz em relação às técnicas psicanalíticas e a sua preferência pela avaliação psicométrica, é de admitir que as discrepâncias encontradas na classificação de alguns candidatos encontrem a este nível uma explicação, o que a ser verdade constitui uma grave injustiça", afirmou Maria Manuel Costa.

Colocada a questão à presidente do júri, esta assumiu que, "na realidade", tem "pouca confiança nas técnicas psicanalíticas".

Ver também:
Psicólogos Clínicos e Ministério da Saúde em Rota de Colisão
Por ALEXANDRE LOPES DE CASTRO
Domingo, 16 de Novembro de 2003
http://jornal.publico.pt/publico/2003/11/16/Sociedade/S10.html

 

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