O Sindicato Nacional dos
Psicólogos foi criado há 32 anos. Os psicólogos eram então
em número relativamente reduzido. Hoje, são cerca de 30 as
Faculdades e Institutos de Psicologia em todo o país, o
número de profissionais cresceu muito e muito rapidamente
sem que, por factores vários, se tenha verificado, em
simultâneo, o correspondente desenvolvimento da sua
estrutura sindical.
No Programa de Acção da
Lista para o biénio 2002-2004 dizia-se:
"Nos últimos tempos,
porém, o número de profissionais que se têm dirigido ao
Sindicato inscrevendo-se e solicitando apoio tem aumentado
significativamente, pelo que estão criadas condições
objectivas para o seu reforço e real poder interventivo em
defesa da dignificação profissional e laboral de um sector
de actividade cuja nobreza e importância social, sendo
óbvia, está longe de ser reconhecida pelos poderes
instituídos. Um elevado número de psicólogos de todas as
áreas – clínica, social, educacional e outras - encontram-se
no desemprego, com contratos precários ou escandalosamente
usados como mão de obra gratuita, por exemplo, em hospitais
e autarquias. O mais chocante é que é precisamente em
serviços do Estado que esta realidade se apresenta com maior
gravidade.
Destes factos podem
extrair-se muito claramente duas ilações. Em primeiro lugar,
que o Estado, em vez de exercer a sua função social
reguladora de maior justiça social nas relações de trabalho,
é o primeiro a aderir a lógicas de manifesta exploração. Em
segundo lugar, e não indissociável da anterior, que o Estado
desinveste de forma crescente no terreno da intervenção
social e na área da saúde, espaços de acção privilegiada da
psicologia. A título de exemplo, reduziu drasticamente o
número de psicólogos que intervêm na área escolar, sector
que se encontra cada vez mais ameaçado com as sucessivas
propostas de alteração que têm sido veiculadas pelo governo;
não abre os quadros do Serviço Nacional de Saúde (hospitais,
centros de saúde) a psicólogos, embora em todas as unidades
trabalhe gratuitamente um elevado número de profissionais,
tornando evidente a sua necessidade; e ameace reduzir
drasticamente o investimento na área da prevenção e
tratamento das toxicodependências.
As frentes de luta pela
dignificação do estatuto e papel dos psicólogos são
múltiplas mas para levá-las a bom termo é absolutamente
imprescindível a adesão dos profissionais ao seu Sindicato
concedendo-lhe, desse modo, real poder interventivo.
Um forte Sindicato e uma
Ordem, cuja criação está em marcha, tendo objectivos
e espaços de acção
diferenciados mas complementares, constituir-se-ão como
pólos essenciais para que à psicologia e aos psicólogos seja
concedida a importância e a dignidade que justamente lhes
são devidas em qualquer sociedade desenvolvida".
Passados dois anos estas
palavras mantêm toda a sua actualidade. Mas, ao mesmo tempo,
no que respeita ao Sindicato, a situação alterou-se muito
significativamente: o número de sócios aumentou em flecha, o
Sindicato interveio em diversas áreas – clínica,
educacional, na reivindicação do direito dos psicólogos a
ensinarem Psicologia, na contratação colectiva no ensino
particular e cooperativo e IPSS´s, no restabelecimento dos
contactos com a Federação Europeia de Associações de
Psicologia (EFPA), na implementação do Diploma Europeu de
Psicologia, etc.
Aumentou a intervenção
pública do Sindicato, quer a nível institucional quer a
nível da comunicação social.
Prosseguindo e
aprofundando esta orientação, a
nossa lista propõe-se:
- Continuar a pressionar
os diferentes Ministérios (Saúde, Educação, Justiça e
Cidades e Ordenamento do Território) e também as ONG`s e
IPSS`s no sentido de desbloquear a abertura de concursos
para a contratação de psicólogos em serviços manifestamente
deficitários e também para resolver o problema dos
profissionais que estão a trabalhar com vínculos precários
ou gratuitamente.
- Acompanhar junto do
Ministério da Educação o processo que permitirá aos
psicólogos ministrar a disciplina de Psicologia no ensino
regular com habilitação própria.
- Cooperar com a Frente
Comum de Sindicatos da Função Pública para que as carreiras
profissionais, vínculos contratuais e salários dos
psicólogos sejam salvaguardados.
- Garantir uma carreira
profissional condigna e tabelas salariais justas para os
psicólogos que trabalham no ensino particular e cooperativo.
- Diligenciar, junto das
entidades empregadoras, formação profissional adequada aos
profissionais de psicologia, nas diferentes áreas, em
conformidade com a legislação em vigor.
- Continuar a pressionar o
Ministério da Educação para evitar a integração dos Serviços
de Psicologia e Orientação (SPO`s) nos Centros de Apoio
Sócio Educativos (CASE).
- Prosseguir a actividade
dos grupos de trabalho e comissões, designadamente:
Comissão de Ética e
Deontologia
Comissão para os problemas
do Ensino
Grupo de Trabalho de
Psicologia Clínica
Grupo de trabalho das
Psicoterapias
Grupo de trabalho sobre o
Diploma Europeu de Psicologia
Grupo de Trabalho para a
Contratação Colectiva nas IPSS, ONG`s, Ensino Particular e
Cooperativo e
Misericórdias
- Criação de novos grupos
de trabalho de acordo com as necessidades.
- Desenhar e
conceptualizar formas de intervenção na comunicação social,
em defesa da honorabilidade e competência dos psicólogos e
esclarecimento da opinião pública sempre que assim se
justifique.
- Trabalhar para o
permanente crescimento do número de associados e
visibilidade da actividade do sindicato, através da
participação em vários eventos.
- Informar com
periodicidade regular os associados sobre as actividades do
SNP e questões relevantes para a classe, concretamente:
eventos científicos, publicações, formação, legislação,
emprego, etc., continuando a manter sempre actualizada a
página da Web.
- Procurar dar respostas
às necessidades formativas dos associados.
- Melhorar o serviço
jurídico (direito de trabalho) de apoio aos sócios.
- Manutenção e
estabelecimento de novos protocolos com empresas e
instituições para prestação de serviços aos associados.
- Criação de um grupo de
trabalho para a elaboração de uma proposta de revisão dos
Estatutos do SNP.
- Continuar a promoção e
implementação de delegações regionais do SNP com o objectivo
de descentralizar a actividade e melhorar a intervenção e os
serviços a prestar aos associados.
- Realização de um
Encontro Nacional de Psicólogos.
- Continuar a participar
activamente na Federação Europeia de Associações de
Psicólogos.
Lisboa, 20/10/2004