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Secretário de Estado da Saúde rejeita propostas para melhorar as condições de trabalho dos psicólogos clínicos e o exercício da psicologia clínica em Portugal

Caro Colega:

A Direcção Nacional do Sindicato dos Psicólogos solicitou uma audiência ao Secretário de Estado da Saúde a quem apresentou um conjunto de propostas para melhorar as condições de trabalho dos psicólogos clínicos e consequentemente, o exercício da psicologia clínica no âmbito dos institutos de saúde pública.

Um dos assuntos tratados prendeu-se com o processo de equiparação a estágio da carreira dos técnicos superiores de saúde que decorre há cerca de um ano sob a alçada do Gabinete de Modernização e Recursos da Saúde e está a conduzir à exclusão da esmagadora maioria dos psicólogos candidatos.

Os profissionais excluídos, muitos dos quais com vários anos de experiência, ficam assim impedidos de concorrer ao lugar de especialista em concursos que abram no âmbito do Ministério da Saúde e, consequentemente, de prosseguirem, em termos consistentes, as suas carreiras em hospitais, centros de saúde, CATs, etc.

Particularmente incongruente é o facto de neste rol de excluídos se englobarem alguns profissionais que têm vindo a desenvolver há anos a sua actividade de psicologia clínica precisamente nessas instituições dependentes do Ministério da Saúde com vínculos precários. Fica então sem se perceber porque foram até agora considerados aptos para o exercício da função e passam, daqui por diante, a ser considerados inaptos para fazer o percurso normal de ascensão na carreira. Fica ainda mais difícil de perceber que embora lhes seja recusada a possibilidade de prosseguirem a carreira a alguns continuem a ser propostos contratos com vínculos precários. Uma leitura parece tornar-se óbvia: o Ministério da Saúde quer limitar ao máximo o número de profissionais a quem concede o benefício de fazer carreira e recorrer o mais possível a contratos baratos que a todo o momento podem ser rescindidos.

Para pôr termo a esta dinâmica injusta e incompetente defendemos junto do Secretário de Estado a opinião colhida em reuniões feitas com psicólogos envolvidos no processo, no sentido de que seja atribuída a equiparação a todos quantos já exerceram 3 anos de actividade (o tempo de duração do estágio) em instituições públicas de saúde.

Revelando-se pouco conhecedor do processo, o Secretário de Estado remeteu o assunto para o Director Geral, também presente na reunião, que excluiu essa possibilidade ou

qualquer outra solução mais conciliadora e justa, limitando-se a dizer que os psicólogos descontentes com o processo de equiparação poderiam accionar os mecanismos judiciais, o que obviamente todos sabemos, como também sabemos tratar-se de uma saída de escassa eficácia prática.

Outra ideia defendida junto do Secretário de Estado foi a da necessidade de ajustar os quadros das instituições de saúde em que trabalham psicólogos clínicos às reais necessidades dessas mesmas instituições, para que se possa alterar a triste realidade actual que consiste na contratação sistemática de profissionais com vínculos precários ou, pior ainda, no recurso generalizado a trabalho voluntário gratuito.

Esta postura do Ministro da Saúde parece-nos, em primeiro lugar, oportunista na medida em que aproveita o facto de haver grande oferta de psicólogos clínicos no mercado de trabalho. Em segundo lugar parece-nos irresponsável e pouco séria porque a precariedade de emprego não é seguramente propiciadora de qualidade de trabalho. E, sendo prejudicial ao exercício da psicologia é igualmente prejudicial aos utentes dos serviços de psicologia.

Em resposta a esta reclamação do Sindicato, o Secretário de Estado invocou a crise em que vive o país e as reduzidas dotações orçamentais atribuídas pelo Ministério das Finanças à Saúde para no fundo dizer que tudo vai continuar na mesma.

Assuntos como a especificidade da situação dos psicólogos clínicos que trabalham no IDT, a autonomia funcional dos psicólogos clínicos que trabalham em instituições dependentes do Ministério da Saúde, a comparticipação do Estado em consultas de psicologia e a necessidade de total independência da psicologia relativamente a valências da área médica foram outros assuntos tratados com o Secretário de Estado sem qualquer êxito.

Tendo acolhido formalmente a proposta de encontro entre ambas as partes, constatou-se, afinal, que o Secretário de Estado não estava realmente aberto ao diálogo, revelando deste modo uma grande falta de respeito para com os profissionais da saúde mental que o mesmo é dizer para com a saúde mental no nosso país.

Para que possamos continuar a definir linhas de luta em defesa dos nossos direitos convocamos todos os colegas para uma reunião no próximo dia 18 de Outubro, às 14.30, nas instalações do Sindicato, à Rua do Jardim do Tabaco, nº90, 2º dtº, em Lisboa.

Outubro de 2003

Direcção do Sindicato Nacional dos Psicólogos

 

Rua Jardim do Tabaco, nº 90 - 2º Dto - 1100 - 288 Lisboa | Tel/Fax - 218880046 | E-mail - snp@snp.pt