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COMUNICADO

AOS COLEGAS E ESTUDANTES DE PSICOLOGIA

O DIREITO DOS PSICÓLOGOS A ENSINAREM A PSICOLOGIA

Caros Colegas,

De acordo com a actual enquadramento legal, os licenciados em Psicologia estão impedidos de leccionar com habilitação própria a Psicologia e disciplinas afins, nomeadamente a Psicossociologia, nas escolas secundárias portuguesas.

Considerando esta situação negativa e discriminatória, e respondendo a uma preocupação antiga e à solicitação de vários colegas neste sentido, o SNP criou recentemente uma Comissão de Trabalho com o objectivo de encontrar uma resolução justa e positiva para este problema.

Em Março de 2003, em resposta a um pedido nosso de esclarecimento sobre esta matéria, o Ministério da Educação comunicou-nos que «as disciplinas de Psicologia e Psicossociologia não integram actualmente o elenco dos grupos definidos para recrutamento de pessoal docente. Assim, aquelas disciplinas são ministradas por docentes de grupos de docência legalmente consagrados ou por profissionais contratados nos termos do nº 2 do Artigo 33 do Estatuto da Carreira Docente» (6/3/2003).

Por outras palavras, as disciplinas de Psicologia e Psicossociologia integram o grupo de Técnicas Especiais, cuja docência pode ser ministrada por:

  • licenciados em Filosofia, no caso da Psicologia, e licenciados em Direito, Sociologia ou Economia, no caso da Psicossociologia, enquanto docentes de grupos de docência legalmente consagrados (situação que caracteriza a maioria das escolas).

  • técnicos que, com a autorização prévia do Ministério da Educação, são directamente contratados a termo pelas escolas, e cujo estatuto (de "técnico") os dispensa do Estágio Pedagógico que é requisito para a Carreira Docente (situação minoritária, já que se trata de um recurso aplicado apenas quando a escola não dispõe de docentes nas condições anteriores).
Contratados como "técnicos", alguns licenciados em Psicologia têm podido exercer a docência nas escolas secundárias portuguesas, mas numa situação de enorme precariedade e desvantagem, e sem acesso à carreira docente. Até à data, a única medida favorável à situação destes profissionais, consagrada em 1989, é a possibilidade de aqueles que contabilizam ininterruptamente 10 anos ou mais de serviço de docência serem integrados no corpo efectivo de funcionários das respectivas escolas, em condições de equiparação à carreira docente (posto que se extingue por morte ou reforma).

Em nosso entender, o argumento de que os licenciados em Psicologia não têm habilitação própria para a docência na sua área de especialidade neste nível de ensino por carecerem de estágio pedagógico na sua formação, entra em contradição com uma série de factos:

  • desde logo, a possibilidade de leccionarem nas escolas secundárias desde que na situação precária descrita acima;

  • serem contratados como Formadores Profissionais por diversas instituições públicas, onde se incluem as escolas profissionais cujos cursos têm equivalência ao 12º ano de escolaridade;
  • outros licenciados, carecendo do estágio pedagógico na sua formação, integrarem os grupos de docência legalmente consagrados.

A situação em Portugal é também discordante face à maioria dos países da União Europeia, onde os docentes de Psicologia são recrutados de entre os licenciados nesta área científica, eventualmente portugueses, se obtido o reconhecimento do diploma (questão esta que, segundo se espera, em breve se encontrará facilitada com o Diploma Europeu de Psicologia).

No nosso país, a incoerência, injustiça e inadequação no recrutamento de docentes não afecta apenas os licenciados em Psicologia, já que os grupos de docência legalmente consagrados estão hoje profundamente desactualizados face aos próprios currículos nas escolas e à oferta de Ensino Superior, sendo urgente a sua reforma (esta é também uma preocupação da Federação Nacional de Professores, com cuja Direcção o SNP reuniu em Setembro de 2003).

O momento actual é particularmente oportuno para discutir e reivindicar mudanças nesta matéria, já que no próximo ano lectivo entrarão em vigor as reformas do sistema educativo entretanto em preparação.

Procurando defender os interesses dos Licenciados em Psicologia e a dignidade da nossa disciplina, o SNP está nesta fase a considerar quais as reivindicações pertinentes a fazer junto do Ministério da Educação português e qual a melhor forma de actuação.

Esperando obter consenso e união, estamos abertos à participação e contributos de todos os colegas e estudantes de Psicologia, e apelamos à adesão e divulgação das iniciativas que iremos realizar no âmbito deste processo.

Com as nossas melhores saudações,

Lisboa, Outubro de 2003

A Direcção do SNP

 

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