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Comunicado à Imprensa
Psicólogos – uma classe profissional em precariedade
crescente
A
situação social dos Psicólogos tem-se agravado cada vez
mais. Um elevado número de psicólogos de todas as áreas –
clínica, social, educacional e outras – encontram-se no
desemprego, com contratos precários ou escandalosamente
usados como mão-de-obra gratuita, por exemplo, em hospitais,
escolas e autarquias. Infelizmente vemos que, quando são
enunciados os recursos humanos nos contratos colectivos de
trabalho, os Psicólogos são sempre esquecidos, quer seja em
serviços do Estado ou particulares, como aconteceu
recentemente quando a proposta do Ministério da Saúde de
Acordo Colectivo de Trabalho para os hospitais SA ignorava
pura e simplesmente os Psicólogos ao enumerar os grupos
profissionais dos técnicos superiores de saúde.
O número
de psicólogos em Portugal deve ser hoje superior a 13 mil.
Ao ritmo a que estão a licenciar-se nas 32 instituições de
ensino superior que formam psicólogos, em 2010 deverão
ultrapassar os vinte mil. Com efeito, Portugal é o país da
União Europeia com maior número de estabelecimentos de
ensino superior e de estudantes de Psicologia por mil
habitantes, superando a Holanda, a Espanha ou a Noruega.
Podendo
isto parecer um grande progresso pela necessidade evidente
que as sociedades mais avançadas têm destes profissionais, a
triste realidade é o subaproveitamento desta enorme massa de
profissionais qualificados.
O Estado
desinveste de forma crescente no terreno da intervenção
social e na área da saúde, espaços de acção privilegiada da
psicologia. A título de exemplo, os psicólogos que intervêm
na área escolar correm o risco de serem reduzidos, porque
este sector se encontra cada vez mais ameaçado com as
sucessivas propostas de alteração que foram veiculadas pelo
anterior governo e das quais ainda não está nada definido
pelo actual; não abrem os quadros do Serviço Nacional de
Saúde (hospitais, centros de saúde) a psicólogos, embora em
todas as unidades trabalhem gratuitamente um elevado número
de profissionais, tornando evidente a sua necessidade. É uma
ideia corrente entre os psicólogos clínicos que se esses
voluntários suspendessem a sua actividade, muitos serviços
parariam.
Como se
explica que, segundo se pode ver no Anuário 2004 dos
Ministério da Saúde, num total de 107 hospitais, 61 não
oferecem qualquer serviço específico de Psiquiatria ou
Psicologia, quando todos os anos se formam numerosos
psicólogos clínicos que vão engrossar as fileiras do
desemprego ou trabalhar fora da sua área de formação.
Nos
países europeus mais desenvolvidos, o Estado já percebeu que
gasta menos contratando os serviços dos Psicólogos do que
pagando as comparticipações em medicamentos e as baixas por
doenças do foro psicológico.
Somos um
dos países da União Europeia com maior número de Psicólogos
por mil habitantes, mas também devemos ser o país da União
Europeia com maior número de Psicólogos a trabalhar noutros
domínios de actividade que não a Psicologia.
Chega-se
ao ponto de a disciplina de Psicologia no ensino secundário
não ser ministrada por Psicólogos mas por licenciados
doutras especialidades em cujos cursos não existe uma única
cadeira de Psicologia! E quando o SNP pretende tratar deste
assunto com o Ministério da Educação vê a questão
eternamente adiada, por estar em estudo a remodelação dos
grupos de ensino…
Segue-se
uma listagem de situações de precariedade do trabalho dos
Psicólogos nas grandes áreas da Saúde e do Ensino, bem como
situações de discriminação desta categoria profissional.
É claro que o que se pretende não é
prejudicar quem trabalha precariamente, o que se pretende é
passar estes profissionais a uma situação de estabilidade
profissional e abrir vagas nos estabelecimentos dependentes
dos Ministérios da Saúde e da Educação e outros para os
numerosos serviços em que fazem falta Psicólogos, na medida
em que a estabilidade profissional permite um melhor
desempenho de funções, bem como uma melhor qualidade na
prestação dos seus serviços à população.
Situação
dos psicólogos a trabalhar em instituições na área da saúde
Um
estudo levado a cabo pelo SNP revela que, numa amostra de 90
sujeitos, cerca de 28% encontram-se a trabalhar com
Contratos a Termo Certo, 26% encontram-se em
regime de Prestação de Serviços, cumprindo
ilegalmente horário e respeitando hierarquias, e que cerca
de 16% encontram-se a trabalhar em instituições
públicas de saúde em regime de Voluntariado, isto é,
trabalho não remunerado, ignorando e contrariando a própria
Lei do Voluntariado.
As
principais instituições:
Ministério da Saúde
-
Hospitais em Geral (sector Público, Privado e Misto)
-
Centros de Saúde
-
Centros de Atendimento a Toxicodependentes
Autarquias locais
IPSS
Situações laborais que reflectem o trabalho precário
-
Estágios Profissionais Não Remunerados – Regime de
Voluntariado
-
Perpetuação dos Estágios Profissionais de Carreira, para o
Ingresso na Carreira Técnica Superior de Saúde (duração de 3
anos)
- Não
abertura de Concursos de Ingresso na Carreira de Técnico
Superior de Saúde, ramo Psicologia Clínica
- Não
abertura de Concursos de Promoção de Carreira
- Regime
de Avenças (Prestação de Serviços com Recibos verdes)
-
Contratos a Termo Certo (de 3 em 3 meses e outras variáveis)
-
Estágios Profissionais do IEFP
-
Contrato financiado pelo PRODEP-UE
-
Existência de diferenciação de contratos nos Hospitais SA/EPE,
isto é, Psicólogos Contratados como Técnicos Superiores de
Psicologia (Regime Geral) e outros como Técnicos Superiores
de Saúde, profissionais que desempenham as mesmas funções:
trabalho igual, e salário e carreiras diferentes)
Situação
dos psicólogos a trabalhar em escolas públicas
Apenas
um número muito reduzido têm um contrato de trabalho sem
termo.
Por exemplo na região de Lisboa (área abrangida pela DREL)
são menos de 200 os psicólogos nesta situação. Estes
psicólogos permitem que 31% das escolas da grande área
metropolitana tenham um psicólogo afecto, mas nas Lezírias e
Oeste apenas 6% das escolas o têm.
O último
concurso para os quadros da DREL ocorreu em 1997.
Desde,
então, as escolas que sentiram necessidade da colaboração de
um psicólogo fizeram -no através das seguintes modalidades:
-
Contratos de prestação de serviços (no ano lectivo
2004/2005, 15 escolas da DREL foram autorizadas a realizar
este tipo de contrato);
-
Programa de Colocação de Animadores/Mediadores Culturais em
estabelecimentos de ensino da DREL (uma das actividades em
que as escolas podem-se inscrever é: Psicologia e
Orientação).
-
Estágios profissionais do IEFP
- UNIVA
– Unidade de Inserção na Vida Activa financiada pelo IEFP;
-
Programas financiados pelo PRODEP da União Europeia
-
Parcerias com Câmaras Municipais e Juntas de Freguesias
(tendo os psicólogos que prestam este serviço
maioritariamente vínculos precários)
-
Gabinetes do IAC – Instituto de Apoio à Criança.
Outras
situações
- ACT
para Hospitais SA/EPE – “esquecimento” do Ramo da
Psicologia, na Carreira Técnica Superior de Saúde –
entretanto o SNP tem vindo a participar nas Negociações
-
Recurso dos Psicólogos da área de Clínica à prática da
Clínica Privada, muitas das vezes sem possibilidade de pagar
uma supervisão profissional
- O
facto de a licenciatura em Psicologia não ser reconhecida
como habilitação própria para a docência da disciplina de
Psicologia no ensino secundário.
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