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Memorando sobre a licenciatura em Psicologia e a docência da disciplina de Psicologia no ensino secundário

O que é necessário para qualquer licenciado poder dar aulas no ensino secundário?

Em primeiro lugar é necessário que a sua licenciatura (par curso / universidade) seja reconhecida pelo Ministério da Educação como válida para a docência de determinada(s) disciplina(s), o que é concretizado pela integração da licenciatura/universidade num determinado Grupo de Recrutamento.

Só pode candidatar-se a docente aquele, cuja licenciatura / universidade é reconhecida pelo Ministério da Educação.

Como é que se processa este reconhecimento?

Qualquer universidade que pretenda que uma licenciatura seja reconhecida para a docência, entrega um dossier de acreditação com informação relativa à licenciatura em questão à Direcção Geral de Recursos Humanos da Educação (DGRHE), sendo posteriormente validado através de portaria (ver a título de exemplo, a Portaria 88/2006, DR 17 SÉRIE I-B de 2006-01-24).

O que se passa com as licenciaturas em Psicologia?

Em 2005 apenas uma instituição, a Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, da Universidade de Coimbra, entregou o dossier à DGRHE, todas as outras não o fizeram. Houve outras instituições que mostraram algum interesse, mas não entregaram atempadamente o dossier…

É importante frisar que não existe Grupo de Docência de Psicologia, e que quem neste momento, tem habilitação própria para dar aulas de Psicologia no ensino secundário são os licenciados em Filosofia, cujas universidades são reconhecidas pelo Ministério da Educação. Por exemplo, um estabelecimento do ensino particular que pretenda ter um licenciado em Psicologia a dar aulas de Psicologia, não pode! Da mesma forma que um licenciado em medicina pode dar aulas no grupo disciplinar de matemática e ciências da natureza, para os quais as suas habilitações são reconhecidas, se pretender dar aulas de português, também não é autorizado.

Seria, assim, pertinente exigir-se que o Ministério da Educação criasse o Grupo de Recrutamento de Psicologia, ou integrasse as licenciaturas em Psicologia num grupo disciplinar afim, de modo que à semelhança do Grupo de Educação Tecnológica, pudessem em função das necessidades das escolas serem colocados os docentes.

No entanto, coloca-se a seguinte questão:

- Fará sentido criar um grupo de recrutamento de docentes para licenciados de apenas uma universidade?

Ponto de situação:

- O Ministério da Educação não mostra vontade de alterar a situação, ou seja, os actuais docentes com licenciatura em Filosofia, são perfeitamente capazes de dar aulas de Psicologia, mesmo que no seu curso não tenham tido qualquer cadeira na área, pois os professores são flexíveis e adaptam-se bem;

- A maioria das instituições do ensino superior que ministram a licenciatura em Psicologia, acham que está tudo bem, os psicólogos não são formados para dar aulas, mas sim para exercerem psicologia, por isso para quê fazer alguma coisa… Já repararam que se o reconhecimento de habilitações para a docência fosse o mesmo nos diversos níveis de ensino, as aulas nas faculdades de psicologia não poderiam ser dadas por psicólogos?

Entretanto, o Ministério da Educação tem vindo a ser cada vez mais exigente com as habilitações dos docentes. Neste ano lectivo, 2005/2006, alguns colegas que leccionavam em escolas particulares, disciplinas como Psicologia, Relações Interpessoais, ou em centros de formação, disciplinas de Cidadania e Empregabilidade, foram impedidos de o fazer, uma vez que as respectivas Direcções Regionais de Educação exigiram a sua substituição por professores com habilitação reconhecida.

O que o SNP fez:

  • Março 2004 – entrega ao Secretário de Estado da Educação Dr. Abílio Morgado de um abaixo-assinado com 3500 assinaturas para ser criado o Grupo de Docência da Psicologia, o qual nos assegurou que quando houvesse revisão dos Grupos de Docência, a questão da Psicologia
  • Março/Abril 2004 – reuniões individuais com os diversos grupos parlamentares
  • Abril 2004 – audiência na Comissão de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da República
  • Maio 2004 – envio de circulares para todas as instituições do ensino superior com licenciatura em Psicologia
  • Fevereiro 2005 – reunião com o ISPA
  • Março 2005 – reunião com FENPROF com o objectivo de perceber como se processa o reconhecimento de habilitações pelo Ministério da Educação
  • Março 2005 – envio de nova circular para todas as instituições do ensino superior com licenciatura em Psicologia
  • Abril / Julho 2005 – reuniões e/ou contactos telefónicos, solicitando que entregassem o dossier ao Ministério da Educação, com as seguintes instituições que responderam à nossa circular:

- Universidade Lusófona

- Universidade Autónoma de Lisboa

- Universidade de Coimbra

- Universidade Fernando Pessoa

- Universidade da Beira Interior

- ISCTE

- Universidade do Minho

- Universidade do Algarve

- ISPA

- ISLA

- Universidade do Porto

  • Maio 2005 - pedido de audiência ao Ministério da Educação (desde Julho de 2005 que semanalmente a resposta a este pedido é adiada)

  • Julho 2005 (véspera do exame de Psicologia 12º ano - 1ª fase) envio de texto - http://www.snp.pt/NEWSLETTER/Noticias_files/050705CARTA.htm - para a comunicação social – saíram pequenas notícias no Público, Correio da Manhã e Diário de Notícias do dia 5 de Julho. Neste exame prestaram provas 52.075 alunos, no total das suas fases, segundo dados do Ministério da Educação

  • Setembro 2005 – reunião com FENPROF, tentativa de ter algum apoio

  • Outubro 2005 – reunião com Associações de Estudantes de Psicologia, na qual apenas compareceu a do ISPA

  • Novembro 2005 – audiência na Comissão de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da República, para apresentar de novo a situação e alertar para o facto de que a Ministra da Educação não nos confere uma audiência.

  • Dezembro 2005 - envio de ofício ao Director Geral de Recursos Humanos da Educação solicitando que os licenciados em Psicologia não fossem impedidos de leccionar, enquanto as faculdades estariam a tratar da apresentação dos dossiers e se esperava pela resposta à entrega do dossier da Faculdade de Coimbra

  • O SNP continua a reiterar o pedido de audiência ao Ministério da Educação, e continua sem resposta.

 

A Comissão de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da República, remeteu-nos a resposta do Ministério da Educação ao Ministro dos Assuntos Parlamentares, na qual o Ministério da Educação refere que não tem necessidade de Professores para a disciplina de Psicologia, porque tem muitos professores de Filosofia para ministrar a disciplina (mesmo sem terem formação nesse área).

 

05-03-2006

A Direcção do SNP

 

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