INTERVENÇÃO DO SNP NO PLENÁRIO DE SINDICATOS DA CGTP-IN

INTERVENÇÃO DO SINDICATO NACIONAL DOS PSICÓLOGOS NO PLENÁRIO DE SINDICATOS DA CGTP-IN, DE DIA 29 DE JANEIRO


Camaradas 

Saudamos o Plenário, todos os trabalhadores e organizações sindicais aqui presentes, saudamos a nossa CGTP! 

O Sindicato Nacional dos Psicólogos, membro fundador da Intersindical Nacional e enquanto sindicato de classe, traz-vos hoje, aqui, a voz dos psicólogos portugueses, voz essa intrinsecamente ligada a uma realidade material muito difícil e, muitas vezes, também invisível para quem olha de fora. Mas é uma realidade profundamente marcada pela precariedade, pela instabilidade e por uma lógica de mercantilização da nossa profissão. 

Somos uma profissão onde demasiados colegas vivem de falsos recibos verdes, pagando para trabalhar: pagam segurança social, pagam IRS, pagam supervisões, pagam formação obrigatória, pagam quotas profissionais. No fim do salário, sobra muitas vezes mês porque tal como muitos milhares de portugueses, os psicólogos pagam para trabalhar! 

A nossa identidade profissional foi sendo empurrada para o isolamento: consultório a consultório, contrato a contrato, projeto a projeto. Uma fragmentação que não é inocente — pretende tornar-nos mais frágeis, mais substituíveis, menos reivindicativos.

Mas nós não somos peças avulso. Somos trabalhadores qualificados, socialmente necessários, que respondem a problemas humanos complexos, em contextos cada vez mais exigentes.

Vejamos os psicólogos escolares. Há décadas em precariedade. Décadas! Colegas que vivem de ano a ano à espera do favor do contrato a termo certo, à espera de concursos de vinculação que não chegam, apesar de prometidas. Com cargas de trabalho incomportáveis, horários que se estendem muito para além do previsto, sujeitos à pressão de direções, autarquias, programas e “projetinhos” que se acumulam sem reforço de meios. 

Na saúde, assistimos ao ataque à carreira específica de psicólogo. Insiste-se na individualização da relação laboral, na lógica de que cada um negoceia por si, fragmentando o coletivo. 

No setor social, encontramos talvez o cenário mais duro: salários baixíssimos, responsabilidades enormes, instituições subfinanciadas e pressionadas por lógicas quantitativas — mais utentes, mais números — sem critério suficiente para a qualidade das respostas. Entre idosos, crianças e populações vulneráveis, estão psicólogos ao lado de tantos outros trabalhadores essenciais, todos mal pagos e sobrecarregados. 

E se durante décadas fomos a classe profissional com o mais elevado nível de desemprego do país, se tal número hoje parece ter decrescido, não o foi porque a vida concreta melhorou. Antes, é o falso “trabalho liberal”, às vezes pouco diferente do trabalho à jorna, em que o jovem psicólogo se sujeita a horários, critérios e imposições inacreditáveis, ora vivendo financeiramente dependente da família, ora adiando o seu projeto de vida para mais tarde, muito mais tarde. 

Se não bastasse, procura-se sujeitar cada vez mais o acesso à profissão e até a progressão na carreira a critérios cada vez mais dependentes da ordem profissional, onde os sucessivos governos depositaram o seu dever de regulação. Para se ser psicólogo em Portugal, mesmo que em precariedade, com um salário miserável ou até desempregado, tem que se pagar inscrição, quotas, mês após mês. Seja ou não seja possível, há que pagar para um dia se poder ser psicólogo, para um dia se poder ter estabilidade e a carreira para a qual se estudou.  

Em muitos setores do público e do privado, somos trabalhadores indispensáveis constantemente tratados como dispensáveis. Somos necessidades permanentes permanentemente temporárias! 

Mas, camaradas, não desarmamos.

Sobrevivemos a uma década e meia de dificuldades financeiras no nosso sindicato, ao afastamento de muitos colegas aquando da criação da ordem profissional, aos anos duros da troika, aos tempos exigentes da pandemia, e ao isolamento crescente que tentam impor aos trabalhadores.

E, apesar disso, crescemos. 

Crescemos em sindicalização porque insistimos em estar onde faz falta: nos locais de trabalho, lado a lado com os colegas. Nas universidades, contactando com os alunos e jovens psicólogos, que enfrentam a dura provação da imposição do estágio profissional obrigatório para se poderem tornar naquilo que foi a formação superior que lhes concedeu: ser psicólogo! 

Crescemos em expressão porque não temos medo de dar a cara, de assumir posições, de lutar coletivamente. Estivemos, estamos e estaremos nos contactos, nos plenários, no esclarecimento, nas manifestações, plenários e greves, sectoriais ou gerais. 

Porque sabemos que a força dos trabalhadores organizados é uma torrente imparável. E sabemos que os psicólogos têm o seu lugar nesta luta coletiva! 

Na defesa de uma saúde mental pública, universal e gratuita.

Defendemos o direito à parentalidade, à inclusão, à igualdade e à proteção de todas as formas de expressão, seja de género, de cultura ou expressão da identidade sexual. 

Toda a ciência demonstra que uma vida digna é essencial para o desenvolvimento humano. E por essa razão, defendemos convictamente contextos de trabalho saudáveis, onde a vida pessoal e profissional são compatíveis, são uma necessidade para o progresso social e não um impedimento ao desenvolvimento do país, como a política de direita tanto insiste!

E porque os tempos são cinzentos, afirmamos também: Somos contra a guerra, contra a exploração, contra todas as formas de opressão. Somos pela paz, pela soberania dos povos e pela solidariedade internacional entre trabalhadores. 

Estamos, em unidade, em esforço constante e coletivamente na luta com todos os trabalhadores, outros sindicatos e com a nossa Central Sindical. E estaremos, cada vez mais fortes, nos locais de trabalho, a cada dia, trazendo à luz e dando voz às necessidades dos psicólogos, que sabem que podem contar com o seu Sindicato, o Sindicato Nacional dos Psicólogos. 

Viva o Plenário! Viva a luta dos trabalhadores! Viva a CGTP-IN! A luta continua!