Manifestação Nacional de Jovens Trabalhadores 28 de março | 15h
Mais de metade dos jovens trabalhadores em Portugal está em situação de precariedade, seja através de contratos a prazo, falsas prestações de serviços, trabalho temporário, estágios intermináveis ou plataformas digitais que fogem a qualquer regra. A precariedade tornou-se a norma e não a exceção.
Paralelamente, o custo de vida em Portugal tornou-se
incomportável, particularmente na habitação. O salário jovem não acompanha a
explosão das rendas, empurrando milhares de jovens para casa dos pais, para
casas sobrelotadas ou mesmo para abandonar o país.
Os jovens psicólogos não são alheios a esta realidade. Conhecemos
bem os vínculos precários, a baixa remuneração, a precariedade glorificada como
empreendedorismo, a falta de contratação nos serviços públicos (SNS, escolas,
área social, ...), e o entrave que é a obrigatoriedade de um estágio
profissional após uma formação académica de 5 anos. Sucessivamente os
psicólogos veem os seus planos de vida adiados e afetados pela instabilidade
que a sua profissão lhes oferece.
Os psicólogos recém-formados encontram-se numa posição de
extrema vulnerabilidade. Após terminarem o seu Mestrado, deparam-se com uma
realidade muito dura: ou encontram um estágio de 12 meses ou não poderão
exercer a sua profissão.
Todos conhecemos a realidade da grande maioria dos estágios de acesso à profissão– desde as remunerações e condições profissionais oferecidas pelas entidades, aproveitando-se da dificuldade que é encontrar um local de estágio, para fazer ofertas ridículas e contrárias à lei; aos estágios independentes, que levantam sérias dúvidas relativamente à função de um estágio.
Acresce a isto, a ausência de programas de estágio ou vagas
muito diminutas e a indisponibilidade do mercado de trabalho em contratar sem
ser por recurso a estágios financiados.
Apesar de serem
detentores de uma licenciatura e um mestrado, os jovens trabalhadores não podem
ser psicólogos, confrontando-se, assim, com um bloqueio estrutural ao
exercício profissional.
Na prática, a necessidade de supervisão que justifica o
estágio — e que deveria ser um mecanismo de qualidade — tornou-se um mecanismo
de restrição de entrada.
O Sindicato Nacional
dos Psicólogos é claro:
- O trabalho do/a psicólogo/a tem de ser remunerado.
- O acesso à profissão não pode depender da existência de vagas financiadas para estágio.
- Não é necessário realizar um estágio profissional para aceder à profissão.
- A supervisão pode e deve acontecer ao longo de toda a carreira, mas sem ónus para o trabalhador.
- No ano inicial, a supervisão pode ser garantida de forma independente do tipo de contrato de trabalho.
- Tal como noutras profissões reguladas, a prática pode decorrer em contexto laboral normal, com supervisão (externa ou interna) certificada.
Dia 28 de março, não fiques em casa. Sozinho não resolves nada, mas juntos podemos combater os entraves que nos impõem no acesso à nossa profissão! Junta-te ao SNP às 15h na Praça da Figueira.
Há transporte organizado do Porto, com saída às 8h30 da Casa
Sindical no Porto (em Campanhã). Inscreve-te enviando email para
adriana.ferreira@snp.pt.
