Comunicado - sobre a alegada ausência de negociação nos concursos para psicólogos nas escolas
A informação recentemente difundida pela AGSE sobre o posicionamento remuneratório dos candidatos ao concurso para 1406 vagas de técnico superior levanta sérias preocupações e não pode deixar de merecer a nossa contestação.
Segundo a interpretação
transmitida, os trabalhadores já detentores de vínculo de emprego público por
tempo indeterminado que venham a ser recrutados serão posicionados na 1.ª
posição remuneratória da carreira de técnico superior, independentemente da remuneração
atualmente auferida, por alegadamente não existir margem para negociação
remuneratória.
Importa recordar que o artigo
38.º da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas consagra a negociação do
posicionamento remuneratório como regra geral no recrutamento de trabalhadores.
Embora a lei não estabeleça um direito automático à manutenção da remuneração
anteriormente auferida, também não resulta da mesma uma regra geral que imponha
a perda de remuneração aos trabalhadores que pretendam exercer o seu legítimo
direito de candidatura a um procedimento concursal.
O efeito prático desta
interpretação é claro: trabalhadores com anos de experiência e remunerações
superiores ficam perante a perspetiva de sofrer uma penalização salarial
significativa caso concorram. Tal situação constitui um forte fator de
desincentivo à candidatura, limitando a mobilidade profissional e criando
desigualdades entre trabalhadores que exercem as mesmas funções.
Defendemos a vinculação dos
trabalhadores em situação precária. Trata-se de uma reivindicação justa e há
muito necessária. Mas a vinculação destes colegas não pode ser feita à custa da
criação de obstáculos artificiais aos trabalhadores já integrados na Administração
Pública. Não aceitamos que sejam colocados trabalhadores contra trabalhadores,
como se os direitos de uns dependessem da perda de direitos dos outros!
A responsabilidade por esta
situação não é dos trabalhadores. É da tutela e dos sucessivos governos que,
durante anos, recorreram à precariedade para assegurar necessidades permanentes
dos serviços, acumulando problemas que agora procuram resolver de forma
apressada e geradora de novos conflitos.
Cada trabalhador deve, por isso,
avaliar a sua situação concreta e exercer plenamente os seus direitos.
Simultaneamente, é fundamental que nos mantenhamos unidos na exigência de
soluções justas para todos: vinculação de quem trabalha precariamente há anos,
valorização das carreiras, respeito pela experiência profissional e garantia de
condições remuneratórias dignas!
O que está em causa não é uma
disputa entre trabalhadores efetivos e trabalhadores em precariedade. O que
está em causa é a defesa da Escola Pública, que respeite todos os seus
profissionais e que não procure resolver erros de gestão sacrificando direitos
laborais.
A unidade dos trabalhadores
continua a ser a melhor resposta a quem tenta dividir para governar. Não é
retirando direitos a uns que se conquistam direitos para outros. Exigimos a
vinculação dos trabalhadores em situação precária e a valorização de todos os
trabalhadores!