Manifestação Nacional 17 de Outubro

Atualmente, viver deixou de ser um direito e passou a ser uma prova de resistência. O agravamento das condições de vida dos trabalhadores manifesta-se hoje em múltiplas dimensões, e é particularmente visível no acesso a direitos fundamentais como a saúde, a educação, a proteção social e a habitação. Perante o aumento do custo de vida que empurra milhares de famílias para a precariedade, o Governo PSD-CDS, com o apoio do CH e da IL, responde com a degradação e negligência dos serviços públicos e com o favorecimento dos grupos económicos, cujos lucros não conhecem limites. No fim do mês, as contas acumulam-se nas mãos vazias de quem trabalha, enquanto o capital enche os bolsos com o fruto desse trabalho.

No SNS, o desinvestimento é uma realidade vivida todos os dias por quem precisa de cuidados e por quem os presta. Por todo o país, os serviços encerram, as urgências encontram-se sobrecarregadas e os profissionais exercem sem os meios necessários. Contudo, a resposta não está na falta de capacidade do serviço público, mas no discurso que desacredita o SNS enquanto lhe retira os meios para funcionar.

Simultaneamente, na educação, a falta de professores é reflexo direto de uma carreira desvalorizada, que deixou de atrair os jovens e precariza quem a exerce. Este problema, que é estrutural, resulta de políticas de desvalorização seguidas por sucessivos governos e põe em risco o direito à educação de milhares de alunos.

Também na proteção social está em causa o direito a uma reforma digna de quem trabalhou uma vida inteira. A Segurança Social Pública, Universal e Solidária tornou-se um dos alvos preferenciais de quem quer transformar direitos em negócio. Este ataque do governo, que coloca em causa o valor das pensões e o direito à reforma antecipada, abre caminho à transferência gradual da proteção social para regimes privados de capitalização.

Por fim, a mesma política que ameaça as reformas deixa o direito à habitação entregue ao mercado. O acesso à habitação é marcado por rendas descontroladas, contratos precários e medidas que colocam em risco a população mais vulnerável, nomeadamente os idosos, pessoas com deficiência e agregados familiares economicamente fragilizados. O Governo propõe mais do mesmo, e o resultado é o agravamento do problema.

Sabemos que a saúde mental é profundamente condicionada pelas condições sociais e económicas em que vivemos e trabalhamos e que não é possível promovê-la enquanto a conciliação entre a vida profissional e familiar se mantém inviabilizada, os vínculos laborais permanecem precários e os salários não garantem o acesso a uma habitação digna.

Os psicólogos, que diariamente acompanham as consequências deste desinvestimento, são também eles vítimas de uma política que os submete a vínculos precários, a estágios sem remuneração justa e a carreiras desvalorizadas. Valorizar os profissionais é, por isso, condição indispensável para garantir cuidados de saúde mental de qualidade. Lutar por condições de trabalho dignas é lutar pela saúde mental de todos!

Não podemos ficar indiferentes face ao agravamento das condições de vida e, por isso, no próximo dia 17 de outubro, trabalhadores de todo o país vão sair à rua em Lisboa, Coimbra e Porto para exigir um futuro com dignidade e justiça social.

Junta-te ao SNP em Lisboa e no Porto.
Lisboa: Cais do Sodré/Rossio, às 14h30
Porto: Praça da Batalha/Praça D. João I, às 10h30